Num mundo tão perturbado por guerras e conflitos em que milhões de pessoas são obrigadas a abandonar os seus países de origem em busca de segurança no estrangeiro é preciso criar mecanismos de imigração legais e seguros que não levem à morte milhares de pessoas, todos os anos, nem que alimentem máfias migratórias e criem condições para uma boa integração nos países de destino.
Um destes mecanismos já existe e foi está testado em vários países: “Visto Humanitário”: se a guerra, conflitos internos e violações dos Direitos Humanos forçam milhões de pessoas a arriscar a sua vida e a entregar o destino a máfias de tráfico humano, os países da União Europeia devem responder e incorporar mecanismos que permitam a chegada regulada, legal e segura ao território da União Europeia (UE) e o principal destes instrumentos – ainda inexistente em Portugal – é o dos Vistos Humanitários.
Os Vistos Humanitários podem ser uma forma eficiente de resolver algumas situações complexas como aquelas em que as pessoas estão em carência urgente de apoio e oferecem uma alternativa viável à perigosa via mediterrânica de chegar à UE. Com efeito, actualmente, mais de 90% dos que pedem asilo na Europa chegam por meios irregulares porque não existe nenhum caminho legal ou regular para chegar ao território da União.
No MdP: Movimento pela Democracia Participativa acreditamos que todos têm o direito de serem ouvidos, sem arriscar a vida e nem se exporem, a si mesmos e à sua família, ao tráfico de seres humanos nem à perseguição política nos seus países de origem. É necessário regressar ao paralisado processo de definição de características mínimas para um “Visto Humanitário”, ao nível da UE, e criar um sistema europeu partilhado capaz de lidar com os pedidos de asilo sem sobrecarregar os países do sul da Europa. Este sistema deve garantir a verificação e simplificação burocrática de todo o processo destes refugiados no ponto de origem e não à chegada.
Em 2018, uma proposta aprovada pelos membros do Parlamento Europeu pedia à Comissão que apresentasse legislação que permita aos requerentes de proteção internacional pudessem solicitar um visto numa embaixada ou consulado da UE. A proposta, infelizmente, não chegou a avançar. Esta seria uma solução para aqueles que atualmente não têm outra opção a não ser a exposição ao tráfico ilícito no qual, pelo menos 30 000 pessoas perderam a vida no Mediterrâneo nos últimos anos.
Em casos de conflito armado ou perseguição política pode existir destruição de habitações e de documentos se o refugiado estiver num campo de refugiados supervisionado pela ONU, pode procurar ajuda junto desta organização para obter documentação temporária e assistência legal. Fora dos campos, a UE deve financiar e coordenar ONGs, as embaixadas dos países-membros e contratar advogados locais especializados na reconstrução de documentos e iniciar processos de asilo.
Propomos que os pedidos de vistos humanitários:
- Possam ser apresentados em consulados ou embaixadas dos Estados-Membros.
- A integração do orçamento na UE em matéria de asilo, procedimentos, controlo de fronteiras e o desenvolvimento de actividades de busca e salvamento comuns.
- A análise remota e prévia dos pedidos de visto para avaliar todos os documentos apresentados, incluindo a sua autenticidade e o risco para a UE.
- Estabelecer práticas coerentes na União através da uniformidade dos modelos de pedidos e optimizar a partilha de informações de requerentes de asilo.
- Entrevistas remotas, por meios informáticos, antes da partida, para despistar casos de riscos de segurança.
(Estas propostas foram enviadas aos Eurodeputados portugueses no Parlamento Europeu)
Actualização:
A 23 de Julho soube-se que a “Iniciativa Liberal” propôs criar em Portugal a figura do “visto humanitário” destinado a pessoas que “estejam a fugir da guerra, de perigos graves” ou perseguidas, e que seria emitido na embaixada do país de origem ou num país vizinho.
O projecto de lei foi apresentado na Assembleia da República e virá – se aprovado – resolver o problema de que um cidadão estrangeiro ou apátrida só pode requerer asilo político em Portugal na Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) ou outras autoridades policiais.
Nesta proposta o partido defende que os requerentes possam fazer esse pedido ainda no estrangeiro com vista às pessoas que “estejam a fugir da guerra, de perigos graves ou sejam sujeitas a perseguição”, que seria diretamente emitido na embaixada do país de origem ou junto do país vizinho, permitindo-lhes vir temporariamente para Portugal, onde poderiam posteriormente requerer asilo político. No diploma da IL os “serviços consulares” devem recorrer à “informação de que dispõem quanto a eventuais conflitos étnicos, militares ou de outra ordem que se verifiquem em determinadas regiões, emitindo, para os indivíduos afetados que o requeiram, vistos por motivos humanitários”.
Consequentemente, a IL propõe uma alteração à lei sobre a entrada, permanência, saída e afastamento de estrangeiros do território nacional, para que, no artigo 45, referente ao “tipo de vistos concedidos no estrangeiros”, passe a estar previsto o “visto humanitário”. A IL concluiu defendendo que este visto seja “válido apenas para o território português”.
Petição à Assembleia da República:
Basta de Mortes no Mediterrâneo: Vistos Humanitários para Salvar Vidas!
Os peticionários apelam à Assembleia da República que diligencie no sentido de promover a existência em Portugal – à semelhança do que já existe noutros países na Europa – de “Vistos Humanitários”. Este tipo especial de visto destina-se a proteger os cidadãos que precisem de protecção urgente e que estejam a ser vítimas de perseguição, violações ou ameaças aos direitos fundamentais nos seus países de origem.
Recentemente, o Governo da República expressou a sua intenção em aumentar as restrições à imigração fechando algumas das portas de acesso ao estatuto de residência que existiam para refugiados de países governados por regimes autocráticos (como o Afeganistão, Irão ou Federação Rússia).
Esta lacuna no sistema de imigração português é uma flagrante contradição com a resolução aprovada em abril de 2024 no Parlamento Europeu que determinava aos Estados-Membros a criarem mecanismos como os vistos humanitários. Apesar desta recomendação, infelizmente, entre nós, a resolução ainda não teve repercussões e ainda não existem Vistos Humanitários.
Este mecanismo funciona em países europeus como a Alemanha, França e Polónia. Na CPLP, o Brasil também tem este tipo de vistos. Perante esta lacuna milhares de activistas e refugiados políticos de origem russa, cubana e iraniana e de outros países vivendo sob regimes ditatoriais e autocráticos estão em risco de se tornarem “migrantes ilegais” e de serem remetidos aos seus países de origem.
De recordar que o sistema de asilo político português tem um funcionamento deficiente e que nos últimos anos tem registado um número decrescente de registos.
Por estas razões apelamos a que o Parlamento legisle no sentido de convidar o governo a legislar – com urgência – a criação do modelo de Vistos Humanitários proposto na Recomendação de Abril do Parlamento Europeu.
https://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=MDP

Deixe um comentário